Ventos Do Oriente | Jardin.

Inspirações

20 setembro 2018

Helena Branquinho

Helena Branquinho​ ​é nossa colunista convidada. Uma portuguesa radicada em Belo Horizonte, que dividirá sua paixão - ​a ​moda - conosco, através de um olhar transatlântico e textos com delicioso sotaque português. Você pode conhece-la melhor em seu blog www.helenabranquinho.com e também no instagram. @helenabranquinho.

Ventos Do Oriente

Há definitivamente uma onda japónica no ar, que para além dos já conceituados e conhecidos quimonos, nos traz um novo olhar sobre as tradições e costumes milenares do país, com um frescor que parece transformar o que já nos é familiar em algo novo e desejável. E apesar de ainda não se ter esgotado o espaço para quimono, vestidos e blusas de trespasse com mangas largas (queremos muito, por favor!), muito há além do óbvio que nos une à essência japonesa. Há sempre um novo espaço para as estampas, novas formas e visões, das mais às menos literais.

A aclamada Claire Waight Keller, que ganhou um destaque especial na imprensa mundial ao ser o nome por detrás do vestido da noiva real Meghan Markle, agora Duquesa de Sussex, foi uma das designers que não resistiu aos encantos do Japão, inspiração para a última coleção Resort 2019 da Givenchy, maison que lidera desde Março de 2017. Nesta coleção, apesar de alguns itens que nos remetem diretamente para o país – como os cintos em vestidos retos que lembram roupas de artes marciais, e as roupas masculinas com elementos explícitos do país, estampas incluídas – foge ao óbvio e à leitura literal do país. É mais como que uma visão com traços orientais discretos, fáceis de incorporar num dia a dia urbano e funcional.

 

Resort 2019 Givenchy, via Vogue Runway.

Outro designer que vestiu os códigos de conduta de uma das classes mais honrosas do planeta foi Nicolas Ghesquière, para a coleção Cruise 2019 da Louis Vuitton. Apesar de oficialmente o designer ter feito uma viagem pela história da moda, num desfile que não tinha obrigatoriamente uma história, se fecharmos os releases, matérias virtuais sobre o assunto, e abrirmos os olhos e coração, muitas são as referências do Japão que dominam a catwalk do museu de arte contemporânea Foundation Maeght, em Saint-Paul-de-Vence, na França. Até o gato, animal mítico e querido no Japão, que aparece inclusive em pinturas antigas como guardião de livros, toma a forma de umas bolsas e aparece estampado em outras. Cinto óbi, sobreposições estratégicas, e silhuetas de ombros destacados, transportam-me mais para roupas Samurai do que para os anos 80, confesso. E saias com dobragens “origami” entre outras peças complexas de dobraduras, levam-me inevitavelmente numa viagem pelo túnel do tempo. Destino: Japão

Resort Louis Vuitton 2019, via Vogue Runway

Mas ainda antes destes nomes ilustres terem apresentado a sua versão dos fatos, já a Jardin nos presenteava com a suas #séries – Inverno 208 “Um olhar sobre o Oriente”, inspiradas no japão e no seu savoir-faire milenar: “que reconhece a beleza do simples na forma, na arte e no quotidiano (…) explora o equilíbrio do tradicional com o ultramoderno, a harmonia entre o belo, a atenção aos detalhes, e a praticidade.”  Poderia dizer isto por palavras minhas mas não encontraria outras tão perfeitas e dignas quanto as que a marca usou para falar da sua proposta de Inverno. Dois opostos extremos sob uma mesma bandeira: a tradição e honra num prato da balança, tecnologia de ponta na outra. O resultado é uma coleção urbana, perfeita para um dia a dia inspirador, ligada a um digno código de conduta. Roupas coerentes com o DNA Jardin: atemporais e minimalistas – fieís!

 

 

Helena Branquinho

www.helenabranquinho.com