Iris van Herpen e a alta costura pós-moderna

A alta-costura é feita para um público exclusivíssimo, que pode gastar a partir de US$ 10 mil numa peça exclusiva, totalmente artesanal e produzida com os materiais e tecidos mais preciosos.
Ainda que tenha consumo restrito, a chamada ‘haute couture’ é um laboratório criativo inestimável para as grandes grifes. Esse segmento é onde os estilistas desenvolvem idéias únicas, que poderão ser trabalhadas de forma comercial no futuro.

E os nomes da nova geração veem a couture também como uma oportunidade de testar novos materiais. A estilista holandesa Iris van Herpen já levou peças impressas em 3D para a Semana de Alta-Costura de Paris e, nessa temporada, surpreendeu com plissados e tecidos finos.

Dessa vez, inspirada pelas ondas sonoras, Iris trabalhou em sua coleção de alta-costura recortes e plissados que remetem ao movimento do som. Os efeitos das ondas foram obtidos através da impressão 3D, já incorporada no trabalho da designer. Tecidos vazados, em forma de tela, também foram impressos em três dimensões.

O ondulado nas peças couture de Iris van Herpen são impressos em 3D e aplicados manualmente

As ondas nas peças couture de Iris van Herpen são impressas em 3D e aplicadas manualmente

Os plissados são mais um recurso utilizado pela estilista, combinados às listras das peças. A sobreposição do movimento do tecido e de sua estampa materializa as trajetórias e encontros das ondas sonoras. Elaborados, os plissados têm um efeito óptico: suas linhas são retas, mas a forma como são feitos dá a sensação de curvas. Isso foi trabalhado em uma organza japonesa, feita com um polímero especial e cortada de uma maneira tal, que o tecido fica com a espessura cinco vezes mais fina que um fio de cabelo.

As inovações e experimentos são tantos que, mesmo questionada por sua viabilidade econômica, a alta-costura é um pilar que conduz à moda para uma evolução criativa única.

Plissados elaborados numa organza mais fina que um fio de cabelo trazem movimento e e leveza às peças

Plissados elaborados numa organza mais fina que um fio de cabelo trazem movimento e e leveza às peças

Fotos: Reprodução/Márcio Madeira (Zeppelin)

Inspirações

30 junho 2018

Deborah Morais

Deborah Morais é uma (futura) designer que adora escrever. Nesse espaço, vai falar sobre vários caminhos que levam à Moda: arquitetura, design, arte, cultura e o que mais inspirar!