FASHION WEEK GREEN - Jardin.

Inspirações

11 outubro 2019

Helena Branquinho

Helena Branquinho​ ​é nossa colunista convidada. Uma portuguesa radicada em Belo Horizonte, que dividirá sua paixão - ​a ​moda - conosco, através de um olhar transatlântico e textos com delicioso sotaque português. Você pode conhece-la melhor em seu blog www.helenabranquinho.com e também no instagram. @helenabranquinho.

FASHION WEEK GREEN

Sustentabilidade e necessidade de nos reconectarmos com o mundo enquanto Planeta Terra, já não é tendência. É uma realidade. É um agora urgente, que a moda, indicada com um dos principais sectores mais poluentes da nossa economia, tem, às vezes ainda sem saber muito bem como, procurado dar uma resposta que nos liberte da culpa. Felizmente, a par do Greenwashing do Fast Fashion, que na verdade só pinta de verde o que em bastidores nada tem de ecológico (todos nós ainda temos muito a aprender sobre isso, sem dúvida!), algumas grandes marcas internacionais começam a olhar o problema com alguma responsabilidade.

 

Salvé Stella Mccartney pioneira neste erguer de bandeira, que nos ensinou claramente que a sustentabilidade e o design/desejo não são inimigos e podem sim dar as mãos! Outra prova provada, foi o desfile de Gabriela Hearts, que nessa edição da NYFW (semana de moda de Nova Iorque), pensou todo o seu desfile de forma a reduzir ao máximo a sua pegada de carbono, e nos lembrou que a sustentabilidade na moda não se reduz aos materiais usados na confecção das roupas. Para desfilar, por exemplo, foram escolhidas apenas modelos que não tiveram que voar. Em vez dos tecidos de ponta altamente sofisticados, nessa coleção a estilista Uruguaia recorreu a tecidos fabricados artesanalmente em Nova Iorque (onde reside e desfila), e tentou reduzir todos os desperdícios de produção ao máximo, tendo até o cabelo das modelos sido arrumado sem luz. A ideia é de contagiar… e mostrar que se ela consegue, outros poderão fazer o mesmo…

 

Grabriela Hearst, Spring 2020, NYFW

 

Já a dupla da  Preen by Thornton Bregazzi, (Justin Thornton and Thea Bregazzi), também em Nova Iorque, usou uma mistura de restos de tecidos das temporadas anteriores, viscose de origem sustentável, e georgette feito de garrafas de plástico recicladas e resíduos têxteis. Nem as próprias modelos queriam acreditar que as roupas que estavam usando eram reaproveitamento e reciclagem.

Preen by Thornton Bregazzi

 

Ainda não se sabe ao certo a pegada de carbono de uma Fashion Week, onde um desfile de 15 minutos, é preparado com meses de antecedência, envolve centenas de voos, deslocações dos convidados de carro, convites impressos, press releases, etc. Mas acredito que essa questão, que começou a ser levantada pela imprensa especializada, encontre respostas, e quem sabe novas formas de pensar a moda ou contornar o desperdício.

 

O mundo parece estar a acordar para uma necessidade de viver diferente em todos os aspetos do seu dia a dia. E as roupas, que sempre acompanharam todas as mudanças sociais, e são sempre um reflexo do comportamento humano atual, não ficam de fora. Porque o ser humano dificilmente descartará a sua necessidade de se vestir. Não apenas de se cobrir, mas de vestir. E mesmo que coloquemos de parte a envolvência econômica e os “milhões de dinheiros” que a indústria da moda gere, o ser humano ganha consciência, mas dificilmente perde o desejo e a necessidade de alguma forma usar as roupas na sua vida. Note-se que até tribos que vivem isoladas da civilização e em prefeita comunhão com a natureza têm os seus códigos vestimentares.

Contudo, estou ainda muito curiosa para ver o que vai resultar do pacto entre marcas como Chanel, Gucci, Nike e Burberry, a convite do Presidente Francês Emmanuel Macron *Fashion Pact), e o resultado de todas estas movimentações que vão surgindo que já envolvem consumidor, imprensa e marcas.

Eu, pessoalmente, tenho muito a aprender sobre o que é realmente sustentável e ecológico, e como será fazer o equilíbrio entre todas as variáveis.

 

Entretanto e bem perto de você, pode encontrar nas araras da Jardin, peças produzidas com tecidos ecológicos. Para além disso, falar de sustentabilidade é falar também de “justiça” e “cadeia de produção”, e desenvolver a economia local. Tudo isso você encontra na Rua Lavras 92 de Belo Horizonte mas também online.

 

Helena Branquinho