Chique ou deselegante? O brega na moda

As tendências de moda são múltiplas, e não faltam opções para compor o estilo pessoal na hora de se vestir. Mas a elegância não é alcançada por todos. Por ir além do que se veste, o dito chique passa pela atitude. E se engana quem pensa que o elegante e o deselegante estão muito distantes. A linha tênue entre os dois é o tema de uma exposição que a galeria londrina Barbican Centre irá hospedar. Entre outubro e fevereiro do próximo ano, The Vulgar: Fashion Redefined vai discutir o lugar do brega na moda.

Traje típico do século XVIII na exposição The Vulgar: Fashion Redefined: opulência questionável?

Traje típico do século XVIII na exposição The Vulgar: Fashion Redefined: opulência questionável? Foto: Peter J Stone ARPS – via Barbican: http://bit.ly/25xSQ6Q

A curadora Judith Clark e o psicanalista Adam Phillips irão explorar como as ideias acerca do “bom gosto” mudaram ao longo do tempo. Da Renascença até os dias de hoje, trajes dos anos 1700 com sobressaias de até 2,5 metros (!) dividirão espaço com peças de estilistas como Miuccia Prada e Marc Jacobs. Apesar de nomes incensados na moda, o “ugly chic” de Miuccia e a mistura de Jacobs não deixam de subverter a noção sobre o que é elegante. Recursos da arte aplicados na moda, como a ilusão de ótica do trompe l’oeil, também são exemplos de um certo “barroquismo” na moda.

Decorativismos como trompe l'oeil também estarão na mostra, aqui em peças de Karl Lagerfeld para a Chloé, em 1987

Decorativismos como trompe l’oeil também estarão na mostra, aqui em peças de Karl Lagerfeld para a Chloé, de 1984. Foto: Guy Marineau – via The Guardian: http://bit.ly/1sviQBz

Colocar em destaque o brega na moda faz, hoje, mais sentido do que nunca. Grifes que abraçam uma estética mais exagerada estão ganhando cada vez mais espaço no mercado de luxo, sempre foi mais adepto à elegância discreta. As italianas Gucci e Moschino são grandes exemplos. Moschino transformou marcas de massa em desejo absoluto, ao levar Barbie e McDonald’s para suas coleções. A Gucci tem como assinatura um espírito vintage luxuoso, que faz um caleidoscópio de cores, texturas e brilho. E o estilista Alessandro Michele alçou detalhes característicos de roupas populares a um status de elegância subvertida no último desfile da marca, em Londres. Maior dos exemplos? O tricô com a bandeira do Reino Unido que, aliado à saia xadrez tartan, ganhou complementos cheios de bom humor.

 

Os excessos vintage de Alessandro Michele na Gucci também debatem o "brega" na moda

Os excessos vintage de Alessandro Michele na Gucci também debatem o brega na moda. Foto: Yannis Vlamos / Indigital.tv – via Vogue: http://bit.ly/2bM9r0I

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Imagem de listagem (usada no link do post): chapéu vermelho de Stephen Jones, coleção Walter van Beirendonck, Fall/Winter 2010/2011. Foto: Ronald Stoops – via Barbican: http://bit.ly/25xSQ6Q

Saiba mais detalhes da exposição: https://www.barbican.org.uk/artgallery 

 

 

Inspirações

11 June 2018

Deborah Morais

Deborah Morais é uma (futura) designer que adora escrever. Nesse espaço, vai falar sobre vários caminhos que levam à Moda: arquitetura, design, arte, cultura e o que mais inspirar!