Cópias na moda: copy, inspired ou difusão de tendências?

cópias na moda

Inspired, mas não tanto, ou quanto mais copy melhor?
Estas são algumas das questões que me atropelam a mente, sempre que desejo uma peça de passerelle a um preço mais acessível, que me escandalizo com descaradas cópias na moda, feitas por marcas nada baratas, e me divido entre a vontade de ter algo parecido e a vergonha de desrespeitar um criador.
Até que ponto usar uma mule Gucci inspired (copy) é uma homenagem a Alessandro Michele, ou um desrespeito (traição) para com a sua mente criativa? Até que ponto a sua multiplicação coloca o designer num pedestal, por criar algo tão desejável, ou desestimula o consumidor a adquirir um item original, que, de tão copiado, se torna banal?
É um conflito interno (provavelmente não só meu), que, na minha opinião, encontra resposta em duas palavras simples, mas às vezes difíceis de encontrar: equilíbrio e bom-senso.
Por um lado podemos pensar: o que seria da minissaia e do biquíni, se ninguém tivesse copiado os seus mentores?
Por outro, podemos pensar: para que comprar um Valentino “Rockstud” por muuuuitos reais, quando há “500” marcas, das mais caras às mais baratas, dos couros aos plásticos, que nem disfarçam a aproximação ao modelo original?
Com que linhas se contornam o que é cópia descarada e desrespeitosa? O que é inspired e até lisonjeiro, o que vira brega de tão copiado, o que dá créditos a uma Maison, ou o que a atira para a lista do “não quero porque toda a gente tem igual!”?
Às vezes é difícil conviver com este conflito (aqui me confesso), que nada mais é do um que um reflexo do nosso coração mole, a nossa mente consumista, e o nosso orçamento controlado. Conforme vou escrevendo sobre isso e refletindo sobre o meu comportamento, vou-me achando ridícula por querer aquelas mules Alberta Ferretti inspired, e vou sendo condescendente comigo mesma sobre a “flat mule fechada” tão Gucci (#soquenao) que tenho no meu closet.

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Imagem por Helena Branquinho, via Polyvore.

Não sei se consigo encontrar um consenso nas respostas certas, nem apontar um caminho a seguir… mas sinto que:
– Mais importante do que comprar etiquetas é termos os nossos gostos pessoais (gosto porque sim, e não porque imita uma marca)
– Só porque não somos milionários não devemos ser privados de usar modelos que gostamos: mas podemos seguir o estilo (difusão de tendências) sem ser cópia descarada (desrespeito).
– Acho ridículo marcas caras fazerem cópias exatas de modelos de grandes etiquetas. O preço deveria incluir o design, criatividade e diferenciação. Aceito mais facilmente copias nas fast fashion, que pelo menos não nos enganam e têm como missão exatamente a democratização da moda.
– Mas ridículo, ridículo, é haver e-commerces internacionais que copiam literalmente a Zara (parece a mesma peça – a marca é aqui um mero exemplo de fast fashion), quando ela própria é uma cópia mais ou menos dissimulada das peças desejo de grandes criadores.
E, por último, sobre o “nada se cria, tudo se copia e se transforma”, fica a vontade de mais criações revolucionárias e marcantes na história da humanidade.

Helena Branquinho
www.helenabranquinho.com

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30 June 2018

Helena Branquinho

Helena Branquinho​ ​é nossa colunista convidada. Uma portuguesa radicada em Belo Horizonte, que dividirá sua paixão - ​a ​moda - conosco, através de um olhar transatlântico e textos com delicioso sotaque português. Você pode conhece-la melhor em seu blog www.helenabranquinho.com e também no instagram. @helenabranquinho.

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