Sobre valores secretos e o desenvolvimento na moda | Jardin.

Inspirações

04 outubro 2016

Helena Branquinho

Helena Branquinho​ ​é nossa colunista convidada. Uma portuguesa radicada em Belo Horizonte, que dividirá sua paixão - ​a ​moda - conosco, através de um olhar transatlântico e textos com delicioso sotaque português. Você pode conhece-la melhor em seu blog www.helenabranquinho.com e também no instagram. @helenabranquinho.

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Sobre valores secretos e o desenvolvimento na moda

desenvolvimento na moda

Coco Chanel nos Jardins de Tulherias com o Louvre ao fundo. Nessa foto de 1957 de Willy Rizzo, ela usa a sua bolsa Chanel 2.55.

Por que ter uma Chanel verdadeira tem um significado diferente do que possuir uma réplica perfeita da Maison parisiense?

A resposta pode andar por uma escolha múltipla de valores morais e respostas politicamente corretas, hipocrisias, falsas aparências ou não, necessidade de afirmação, capacidade financeira… ou falta dela.

Mas sempre que me pergunto por que não sou fã de réplicas e imitações caras ou baratas, percebo que a resposta é simples: mais importante do que tentar impressionar o mundo com um suposto status, ou mais importante do que ter um modelo it que virou febre, o valor do trabalho e a história que está por trás de cada peça são as verdadeiras chaves do prazer pessoal, que me levariam a pagar uma pequena fortuna por um item de luxo.

Quando falamos em bolsa Chanel (apenas um exemplo), falamos de uma história liderada por uma mulher que revolucionou a forma de vestir feminina da época, contra todas as adversidades da vida, e que perpetuou a sua visão pelas gerações seguintes…

Falamos de um trabalho minucioso, que leva horas e horas de trabalho pelas mãos mais capazes, dos artesãos mais qualificados! Esse é, para mim, o verdadeiro valor de tal bolsa, ligado emocionalmente a um organograma e não a vaidade de carimbar no look a capacidade do nosso cartão de crédito.

Este é apenas um exemplo que se multiplica por muitos: tantos quantos os nossos desejos; tantos quantos nomes e obras valiosas existem por aí…

Então, mudemos o ângulo de visão. Deixemos as altas grifes no descanso dos sonhos e olhemos para a etiqueta da porta ao lado, que faz da dedicação e da qualidade a sua forma de estar na vida. Este é o valor secreto que cada peça de roupa ou acessório esconde e que deve pesar nas nossas opções de compra. O valor das roupas somos nós que lho atribuímos. E a felicidade de usar uma peça escolhida a dedo, pelo seu significado e mais valia no closet pessoal, é um prazer só nosso, que nos pertence! A nós e a mais ninguém!

Não vou ser hipócrita e dizer que não consumo fast fashion, muitas vezes de origem (pouco) duvidosa e valores questionáveis… Mas nem só de ouro se fazem joias, e o deslumbramento do desejo imediato e mais acessível faz parte da condição humana. No entanto, confesso que, pessoalmente, não há clímax como garantir uma peça da qual conhecemos a origem, a inspiração, o trabalho e o designer que lhe deu vida!

 

Helena Branquinho

www.helenabranquinho.com