Chanel - A nova era pós Karl Lagerfeld | Blog Jardin

Inspirações

12 setembro 2019

Helena Branquinho

Helena Branquinho​ ​é nossa colunista convidada. Uma portuguesa radicada em Belo Horizonte, que dividirá sua paixão - ​a ​moda - conosco, através de um olhar transatlântico e textos com delicioso sotaque português. Você pode conhece-la melhor em seu blog www.helenabranquinho.com e também no instagram. @helenabranquinho.

Chanel: A Nova Era

Com o anuncio do lançamento do livro “Chanel, The Making Of a Collection”, e com o aproximar das semanas de moda – curiosa que estou para acompanhar a Chanel pós Kaiser – achei oportuno falar de um assunto que apesar de não ser fresco, está a ainda a começar. Chanel, a Nova Era.

A Chanel teve no início desse ano, a sua segunda maior perda da história! Depois da sua fundadora, inquestionavelmente uma das mais importantes e influentes figuras da moda no século XX, foi a vez de Karl Laguerfeld, o mito que conhecemos dos dias de hoje, deixar o mundo terreno. Se Gabrielle deu vida a uma das etiquetas mais conceituadas e desejadas do planeta, a definição pura de “chique para todo o sempre”, Karl deu-lhe um segundo respirar. Retirou-a do abismo, e permitiu que – coisa rara nesta vida moderna dos negócios – se mantivesse na família de sócios originais, longe da alçada (talvez não do olho), dos grandes grupos e econômicos. Foi uma segunda era. E apesar de todo o respeito pelo DNA de Coco, Karl colocou o seu olhar, o seu dedo e genialidade em acção, e criou os seus próprios códigos. “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, e uma marca que nasceu do “passo à frente”, não pode ficar para trás. Muitas vezes me questiono sobre o que Coco comentaria hoje sobre o trabalho do seu sucessor. Dos desfiles apoteóticos, extravagantes, das roupas enriquecidas com todo o exuberante trabalho dos seus artesãos, mas sobretudo… das mini-saias. Sim, as mini saias que Gabrielle Chanel tanto condenava. Às vezes é difícil pensar como uma das mulheres mais visionárias da sua época, no final não acompanhou a evolução dos tempos… Mas para Coco os joelhos eram uma parte do corpo feia, não digna de exposição ao mundo. E claro, na sua sempre opinião, nada como o jogo do esconde para despertar a imaginação e desejo no sexo oposto! Sempre com a elegância que vem da discrição, deixando os toques de opulência para as joias e adornos.

Chanel por Karl Laguerfeld

 

Gabrielle Chanel

Gabrielle Chanel com uma cliente

Terceira Era: The New Era: Sem Coco e sem Karl Laguerfeld!

 

Virginie Viard assumiu o comando. O braço esquerdo e direito de Karl, que escolhia os tecidos e fazia a coisa acontecer, foi nomeada, ainda antes que houvesse espaço para grandes especulações sobre sucessões, a responsável por dar seguimento a estes dois grandes nomes da moda, assim como à grande Maison. Et voilá! A Chanel regressa aos comandos de uma mulher!

Uma tarefa difícil e provavelmente ingrata.

Chanel por Vrginie Viard

O que esperar? Vi nas primeiras duas coleções de Virgine um resgatar, com olhar para a mulher moderna, da essência mais clean e simplesmente chique sempre defendida e pregada por Coco. Essa faceta descomplicada que fizeram de Gabrielle uma das mulheres mais elegantes do século, e a Chanel um símbolo eterno de elegância.

 

O que me faz pensar que mulheres no comando das marcas sempre nos trazem o frescor do prático e funcional, a visão do que as mulheres realmente procuram e precisam, enquanto que designers masculinos tendem sempre a glamurizar e enfeitar um pouco mais o sexo feminino. Note-se Clare Waight Keller para Givency e Maria Grazia Cuiri para a Dior, que para além da forte aposta em crossbody bags, nas primeiras coleções também apostou muito no jeans, com uma visão mais street e daily do luxo.

 

Provavelmente ambas as visões necessárias… mas de que lado continuará Virginie? O que poderemos esperar do próximo desfile em Paris? É sem dúvida uma nova Era para a Chanel e difícil e inesperado será separá-la dos seus dois antecessores, figuras míticas e eternas.

 

Helena Branquinho

www.helenabranquinho.com